Quem diria que algum dia um post seria escrito por mim no meio de um aeroporto. E quem diria também que no meio de tanta gente, em um lugar tão aleatório como um portão de embarque, fico pensando nas mesmas coisas que ando matutando há tantos dias, sozinho ou não.
A vida não é nenhum conto de fadas, não é um filme. Essa coisa de que “no fim tudo dá certo” é mais um daqueles contos da vóvó, historinha de criança. O mundo é uma grande e caótica bagunça. Entender gente é muito difícil. Aliás, se fosse difícil ficava fácil. Entender gente é quase impossível!
Não vou nem entrar nos méritos de desvendar pensamentos, de tentar ler as pessoas como livros. Isso é absurdo. Ninguém faz tais coisas. Se fizesse, acredite, não escreveria um livro contando como, nem ganharia sua vida fazendo analyses em pacientes chatos e tão repetitivos. Se eu pudesse fazer isso, usava meu dom, conseguia o que queria, juntava minhas tralhas e ia morar em algum canto do mundo que me apetecesse mais.
Quero escrever sobre aquilo que se fala ou não, da fina linha entre o que vale a pena falar e fazer em busca de algo. Fazemos tantas coisas que nunca contamos a ninguém, tantos sacrifícios anônimos… à troco de quê? Ninguém ouve seu choro de noite enquanto você pensa no que deixou de fazer por estar pensando em um”bem maior”. Bem de quem? Não o seu, que sofre pela escolhe, nem do beneficiado, que jamais vai ouvir uma palavra de seu honrado e silencioso herói.
E quando a corda chega no limite, o que acontece? Você desiste? Você abre a boca? Você fala tudo? Você é capaz de ser honesto consigo mesmo? Consegue entender a insignificância que todo esse seu sacrifício hérculeo pode ter para outra pessoa? Fazemos as escolhas mais difíceis e (na maioria das vezes) não recebemos crédito algum. E aí, você vai falar o que fez? Vai “jogar na cara” de alguém o quão sofrido e difícil tudo têm sido? Vai pedir arrego e jogar seu orgulho para o alto?
Esse é o mal do mundo. Queremos saber e fazer tudo. Achamos que tudo é possível. Acreditamos que suor, dedicação e vontade constrõem tudo. Essa fábula suja, criada por todos para nos proteger de fracassos que podemos classificar como “momentâneos”, já que “no fim, tudo dá certo”. Esquecemos que, às vezes, simplesmente não somos o suficiente. Existem quase 7 bilhões de pessoas no mundo. É gente demais querendo as mesmas coisas, buscando os mesmos objetivos, e o melhor triunfa. Surpresa: sua chance de ser o melhor em algo é de 1 em quase 7 bilhões.
E assim chegamos ao segredo da vida; nos conformar com o que temos e o que somos. Temos que buscar aconchego no fato de termos tentado o nosso máximo, termos obedecido nossos limites. Fracassos existem e sempre existirão. Não podemos ser todos vencedores; de fato, poucos são os que terminam sua vida totalmente felizes. Destes, uma parte é ignorante o suficiente para seu próprio bem, e a outra pequena parcela é composta pelos que realmente tinham um sonho e chegaram lá.
Voltando ao ponto inicial, fica a pergunta que todos deveríamos nos fazer pelas manhãs: será que estamos fazendo o suficiente? Tem gente que faz o bem buscando receber o bem, e jura não querer nada em troca disso. E se não há julgamento? E se não há punição? E se, no fim, tudo se trata de salvar sua própria pele e fazer o melhor por você. Será que alguém vai mesmo fazer por você o que você fez por essa pessoa? Ao menos tenha a certeza de estar fazendo o suficiente por VOCÊ.
Foi um texto de muitas voltas, mas de muitas verdades. Mudei muito de assunto, mas acho que no fim tudo faz parte do mesmo vazio que é a frustração de se enganar. A frustração de se ver traído pelas próprias convicções. A frustração de se frustar com o mundo só por ele ser o mundo. Admito que estou em um momento de baixa, mas "life’s no playground, kid". E, apesar de tudo, “amanhã há de ser outro dia”.
ser humano é incapaz de altruísmo. Quem defende que ser humano é altruísta ou e ingênuo ou mentiroso.
ResponderExcluirOutra coisa, as pessosa são super fáceis de decifrar. At the end of the day, everybody just wants what's best for them, no matter how many people they have to kick in the nuts for them to get what they want.
Termino meu comentário com a frase de um grande filósofo cujo nome é desconhecido: o mundo é um grande vaso sanitário. todo mundo faz merda
o mundo é um grande vaso sanitário. todo mundo faz merda [2] Sem mais.
ResponderExcluir