No mundo há aqueles que não conseguem ver o que têm de mais importante e, ao buscarem conforto e segurança, abrem mão desses detalhes tão essenciais. Detalhes sim, pois a vida e a felicidade são feitas das pequenas coisas, muito mais do que das grandes. Dentre essas minúcias estão as nossas memórias.
Um dia estaremos sozinhos. Uma hora qualquer. Talvez seja como um senhor, que perdeu os parentes e não fez família; talvez seja como um jovem, na calada da noite, que se vê pensando; ou em qualquer outra pessoa, em qualquer idade, em qualquer lugar. Uma hora estamos sozinhos e tudo que temos para nos lembrar do que somos e o que fizemos são as memórias de nossa vida.
Alguns optam por guardar o que houve de pior, acreditando que aprendem através do que sofreram. Essas pessoas se blindam de seus erros, fogem dos seus perigos, evitam suas confusões. Dor assusta. Ninguém quer viver com a dor. Mas se apegar ao que há de mau e amargo no que passou não torna nossa solidão mais fácil. Pelo contrário, faz com que tenhamos mais medo dela do que deveríamos, só que é inevitável. Uma hora estamos sozinhos.
Outras pessoas decidem lembrar só do que foi bom, acreditando que não vale a pena relembrar as complicações de uma vida tão cheia de dificuldades. Essas pessoas enfrentam as coisas de peito aberto, por vezes tomando chicotadas e encarando as decepções como um navio que avança em mar revolto. Elas balançam e tentam não virar. Aprendem a lidar com isso, por mais difícil que seja, porque vêem no que houve de bom uma luz para as horas de escuridão.
Vale a pena? É uma troca justa se deixar ser frágil, se oferecer tão escandalosamente em um mundo tão cheio de decepções, dores e dúvidas? Essa é uma resposta que cada pessoa busca sozinha, tão sozinha quanto fica em uma madrugada qualquer, sem motivo aparente. Eu fiz a minha escolha. Vivo com as minhas surras e sofro com a minha inocência. Mas eu fiz a minha escolha. Eu escolho acreditar e lembrar do bom e do melhor. Eu me recuso a deixar que o tempo manche as minhas memórias. Eu as quero aqui, intactas, quando precisar.
terça-feira, 25 de maio de 2010
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